4/05/2006

O nosso blog muda de morada

Estamos fartos do blogger e decidimos mudar de sitio, partir de agora estamos de volta aqui: http://www.bloxster.net/antipatia/ pedimos aos fans de sempre, aos que nos linkaram e aos que nos têm nos bookmarks que nos acompanhem nesta nova aventura.

O Fórum das Ed. An. (Sem Manuel Acácio)

Comentário ao post de ai em baixo: "carochinha said... ok ok mas no fundo disso tudo, autofagica e tragicamente bela ansia de destruicao pela catarse, seja de de lisboa e vale do tejo ou do caneco longe como tudo mas com ares adoptaveis ao papel de booggie man, entao diz-me là o que farias sem a tua ligacao à net, sem os teus tenis esfolados a uma puta indonesia que faz biscates para a adidas ou na noite em que fosse preciso voltar à horta porque os legumes a comer tinham de voltar a vir do teu suor. Em suma, é adoravel ver alguem a manter a chama da atitude catartica- alguem tem de faze-lo - apenas duvido-porque-duvido-mesmo da articulacao disso com uma humildade mais enraizada que fique com tudo o que existe, atenta e presente, sem alucinadas ambicoes de exterminio daquilo daqilo q é o Mal,que nao disfarce a perpetuacao que faz de um dualismo sofredor com uma verborreia muito sedutora mas apenas esclarecida porque tem as costas quentes. Respeitosamente, carochinha" A carochinha (de pequeno insecto ou de pequena toxicodependente?) volta a por a questão do que poderão ser os comportamentos quotidianos verdadeiramentes susceptiveis de mudar alguma coisa. Parece um debate interessante e estamos mais do que dispostos a providenciar o fórum para tal debate. Normalmente as opiniões relativas a este assunto dividem-se em alguns grupos que consideraremos ai em baixo. Fica a advertência, necessária perante as sensibilidades acutas da maioria dos envolvidos, que são apenas generalizações com o seu quê de ironia. Para um número considerável de pessoas o quociente revolucionário do quotidiano mede-se pela capacidade de recusar os métodos de sobrevivência disponibilizados pelo poder abandonando ou construindo alternativas a estes: desenvolvendo esquemas alternativos de aquisição e troca de bens (trocando, "reciclando", roubando), recusando confortos e necessidades "burguesas" como modinhas, cultura pop, restauração, etc, procurando construir espaços de convivio separados onde as regras sejam diferentes e não sujeitas aos espaços normais de consumo. Este tipo de tentativa de subversão surge habitualmente ligada a temáticas como o vegetarianismo, a preocupação perante o uso de quimicos em produtos quotidianos, o poder das multinacionais. A principal critica feita a tudo isto é que muito facilmente se cria uma passividade escapista sujeita aos restos do sistema e que perante a ineficácia de certos métodos acontece eventualmente uma mitificação da miséria e do despojo, uma onda um bocado franciscana até no isolamento, o ghetto que se cria acaba por ser tão miserável como a sociedade a que quer escapar. é por aqui que a pequena carocha nos acusa de usar ténis esfolados a uma puta biscateira indonésia, estou ao corrente das crueis e desumanas condições de trabalho na indonésia mas nunca imaginei que recorressem a perversidades tão abjectas, e de não sermos capazes de trabalhar à noite na horta, capacidade pouco conhecida do campesinato honesto em pleno e fraterno contacto com a natureza. Uma outra vertente assume que a revolução passou a ser uma questão pessoal, passando agora por campos semi-espirituais de emancipaçção pessoal. o quotidiano revolucionário passa por uma edificação pessoal que permita que cada um se subtraia às armadilhas psicológicas da biopolitica. A emancipação passa por um maior contacto consigo próprio, uma maior honestidade nas relações sociais, por uma abnegação edificante que permita a verdadeira comunhão entre os seres através de um crescimento conjunto. Na sequênca deste estado de omnipresente saúde mental o capitalismo não será nem ultrapassado nem combatido mas abandonado. A revolução acontece passo a passo e não se combate nas barricadas mas nas cabeças de cada um de nós. Esta será, passe o que porventura terá de detalhes interessantes, a mais reaccionária das posturas: não só anula e esquece todo o papel que o poder sempre teve ao reprimir incontáveis tentativas de insurreição como assume que todos devemos ajudar os outros a atingir uma iluminação que já possuimos à priori. Não sobejem dúvidas que este pessoal nos cai um bocado mal, a revolução não é um piquenique. Os terceiro serão os militantes: a mudança constroi-se criando e organizando movimento, nem sempre consequentemente, mas sempre com muita força. O dever do agente de mudança é criar e organizar uma força de carácter politico que possa eventualmente ganhar um conflito com os poderes instituidos. É através de acção politica que se chega a algum lado, os mais meninos organizam concentrações, os mais hardcores lançam molotovs. É pela dedicação à causa que se medem as pessoas: como diziam os Bologneses CRASH "La militanza non vá de vacanza" (Bologna é uma cidade essencialmente universitária que literalmente se esvazia no verão, os caros autónomos propunham que ficasse toda a gente na cidade a construir contrapoder) ou algumas paredes em Barcelona: "Solidariadade é passares pelo que eu passo" e "Solidariadade diferente de blah blah blah, solidariedade igual a bomba". Para além dos óbvios traços de fundamentalismo, dogmatismo e em geral péssimas qualidades tácticas suportadas por um discurso em que só acredita ou leva a sério que o escreveu, a militância apaga o individuo em nome de um conceito abstracto, ou seja, é alienação pura. Deixamos escapar com uma mera referência o pessoal que acredita que é através do envolvimento civico que os amanhãs melodiosos surgirão. Há várias nuances, uns são mais sofisticados, outros menos iluminados, mas não vamos perder tempo a discutir gente que se enternece com as barbas paternais do Manuel Alegre ou com o ar de seminarista porreiro do Louçã. Basicamente este pessoal está para todos nós como as Selecções do Reader's Digest estão para as Edições Antipáticas. E Por último, e por isto não esperavam, queremos denunciar os piores de todos: a escumalha pro-situ, artistóide, intelectualóide, pequeno burguesa, pseudo-vanguardista, hedonista, nihilista, grandiloquente, dandy de pacotilha, filhinha do papá, filhinha da inteligentsia e da aristocracia de esquerda que abundam nestes meios antipáticos. Para estes inomináveis filhos da puta a revolução é uma festa. gostam muito de festas porque se habituaram desde pequenos a receber grandes prendas em festas, playstations, motas, viagens aos estados unidos, etc... Como tem dinheiro para gastar nos bares caros das cidades onde vivem esbanjam tudo em lugares burguesóides como o bairro alto e como no fim da noite mandam um caixote do lixo ao chão e tem uma nódoa de smirnoff na t-shirt dos panteras negras acham que são os legitimos herdeiros dos Weathermen Underground que conhecem do DVD que compraram na Amazon.com. Há várias facções: uns dedicam-se às artes e acham-se legitimos herdeiros das vanguardas do século 20, outros vieram das casas okupadas e fazem render o seu curriculum nas festas do bloco de esquerda onde impressionam jovens do sexo oposto com historinhas do black bloc, outros são simplesmente triste pós-situs, outros ainda vêm da cena punk/hardcore e perceberam todos aos mesmo tempo que agora estava mais na moda esta onda e decoraram em duas semanas esse situacionismo fast-food da Crimethinc. Todos eles afirmam que a arte se deve realizar na vida sobre o signo do jogo, e que ás vezes são revolucionários outras vezes capitalistas. Falta-lhe a lucidez, e quiçá como dizia a little junkye a humildade, para perceberem que no fim de contas não são uma coisa nem outra, falhando redondamente nas duas. Os comentários e as prestações mais interessantes serão todas aqui publicadas e discutidas.

3/18/2006

O velho continente a ferro e fogo.

Esta semana na União Europeia: França: Sorbonne ocupada, noite de distúrbios, e hoje mais estrilho (não meto link devem estar fartos de ouvir) Itália: Manifestação Anti-Fascista arrasa com centro de Milão. 43 presos (que ficam a aguardar julgamento detidos). aqui. Barcelona: Macrobotellon reprimido provoca na madrugada catalã uma orgia de distúrbios. aqui. No mesmo dia 400 pessoas manifestam-se pela liberdade de dois anarquistas presos sem grandes provas.

3/10/2006

A Carta.

O site pro-situ Notbored.org publicou recentemente uma tradução inglesa de várias cartas de Debord, uma das quais dirigida a um grupo de pro-situs Portugueses no qual estava incluido Afonso Monteiro, um dos tradutores da "Sociedade do Espectáculo". Deixamos aqui algumas partes, a carta compelta está disponivel aqui: To A. Monteiro and friends, 15 November 1975. "Your recent invitations to bring me to Lisbon as soon as possible seem to call for a clear response. For more than six months, I have discerned several ambiguities concerning this question (which is obviously linked to the question of what you yourselves are, that is to say, of what you do and how you do it)" "With the result that, each time you incite me to come among you, I only hear -- under the form of several attractive generalities -- praise for this revolution: as if you think (and this is quite bizarre) that you need to inform me of its existence and its importance, and as if such a reality actually consitites an argument in your favor!" "It goes without saying that the real movement of the Portuguese proletariat has no reason to fear being led by me" "Thus I find your manner of appealing to me to "come see" what you yourselves see in a sort of dazzled silence does not simply open on to something that would be useless but also something that isn't even innocent. Having never been a pure and simple "theoretician" of practice; being a foreigner (that is to say, someone who does not speak the language of the country); being unknown in this country (because I naturally do not have the intention of playing upon my slight "celebrity," which could only have a basis among the intellectual scroundels, who were slightly Leftist in 1973, Stalinist in 1974 and pro-proletarian today) -- obviously I can only intervene in the Portugeuse movement with Portugeuse people who were themselves concretely engaged in the process, which is so advanced today: that is to say, with you, if you answer to such a definition. (Of course, I could also intervene with other Portugeuse people: but, for this to take place, it would still be necessary for me not to be identified with your particular politics, of which I certainly do not approve. And I am not the only one to disapprove of them.)" "To summarize: despite the position (without doubt the most advanced in the whole movement) you took in the summer of 1974, the little you have done since then, and the laughable manner in which you theorize your attitude and results, assuredly do not permit me to approve of your "completely bad" politics, "bad" in Hegel's sense: "Because it is quite necessary to call 'bad' a work that is not a work." "But one tells me that she died in Mozambique, which is another proof of the fact that everyone has not found that it is necessary to live the revolution in Lisbon with you."

1/27/2006

Porto.

1/26/2006

O Passado de José Silva

A FATGL/CVR descubriu documentos relativos ao passado politico de João Silva, ou como era conhecido na altura, José Silva. Não hesitamos assim em desacreditar o falso lider de um movimento que os recusa, J. Silva procura aproveitar-se do novo impeto catastrofista para beneficio das suas antiquadas e obsoletas estruturas politico-partidárias, tal não passará. A Cidade. O Terramoto. A Liberdade. Queremos a catástrofe iminente JÀ! (clica nas imagens para as veres num tamanho legível)

1/25/2006

Relatório sobre o grupelho autodenominado FAG"T"L

A Frente de Antecipação do Grande Trambolhão – Periferias vem denunciar o carácter radicalmente senil e irrealista de uma auto-denominada FAG”T”L – gente da qual nos desmarcamos desde já. As conhecidas cisões no movimento catastrofista cabem por inteiro ao carácter sectário de uma certa camarilha reaccionária que nunca foi capaz de perceber que as hipóteses de um “Grande Salto” nunca estarão numa Lisboa centralizada e centralizadora. Relembramos ao senhor João Silva, como se fosse necessário, que só a periferia fará rebentar o centro. É no eixo Torres Vedras-Benavente-Palmela que se podem tentar acções de sucesso, nunca no Terreiro do Paço – de onde sempre lhe veio a tença. Daí que as acções reivindicadas pela FAG”T”L estejam votadas ao fracasso – mas a sua cegueira ideológica impedi-lo-á de perceber a verdadeira acção catastrofista. Lembramos ainda que só uma verdadeira acção de massas poderá levar ao Grande Trambolhão – daí que as acções das brigadas da FAG”T”L não passem de aventureismo estéril. Perguntamos ainda se alguém se lembra de tomadas de posição da parte desse grupo aquando do pequeno tremor de terra de Agosto de 1998 nos Açores. Consideramos que, com este pequeno exemplo, fica tudo dito. Recordamos por fim que desenvolvemos acção científica séria no âmbito do LATTEX – Laboratório de Tectonofísica e Tectónica Experimental da Faculdade de Ciências de Lisboa. E uma rápida pesquisa na Internet dará conta da nossa credibilidade científica. Condenamos ainda, e por fim, a incapacidade estratégica do grupelho de João Silva que nem sequer conseguiu pensar numa sigla facilmente reconhecível. Apesar de tudo continuamos empenhados na formação da TREMOR - Turba Radical Especializada em Movimentações Orientadas para a Ruína Abaixo o reformismo! Viva a verdadeira FAGT (P) Ver http://www.lattex.fc.ul.pt

1/23/2006

Tens lume?

Os companheiros Italianos de quem muito gostamos voltam a dar-nos esperança: À passagem de uma brava atleta os bravos antagonistas deram-lhe a boca à chama olimpica. Os nossos amigos já andam a contestar as olimpiadas de inverno de Turim e a consequente "limpeza" da cidade há uns meses, tendo tudo isto culminado em barricadas nos montes de Vale di Susa contra o TGV feitas por anarquistas e presidentes da junta lado a lado (ver Indymedia Português e/ou Italiano), tendo já sido levadas a cabo várias tentativas prévias de furto da dita chama em Génova, Bologna, Iesa e Modena. em tom menos festivo temos a noticias que os companheiros foram posteriormente presos e espancados pela policia e a chama foi devolvida à pobre atleta.

A (literal) máquina de guerra Europeia

Um colectivo de Tactical Media italiano montou uma gigantesca operação mediática a promover um filme que não existe onde uma força militar europeia assume o papel habitualmente Americano de salvar o mundo: Fake European propaganda movie hits Austria and Bologna Mattes' grand artwork keeps on spreading in both the public and the media space. 'United We Stand' is the title of the much-hyped spy/action movie wholly produced by Europe, a large-scale propagandistic stunt that has in the past few months stirred much controversy. Too bad the movie doesn't actually exist, but it is instead the latest insane provocation of the artists' couple Eva and Franco Mattes, better known as 0100101110101101.ORG. After Berlin, Brussels, Barcelona, New York and Bangalore, the gigantic performance has now landed in Austria and Bologna. While the movie itself doesn't exist, the actors and the flashy poster do. They portray the inspired faces of the main characters surrounded by the blue of the European flag and by gruesome war scenes. The movie's Web site also exists - www.UnitedWeStandMovie.com - and it is accompanied by an extensive advertising campaign covering half the globe, causing extreme reactions in both the streets and the media. "United We Stand" Eva Mattes explains "mimics the typical Hollywood action movie where the US always wins and saves the world. We have used their clichéd visual elements, but we have replaced their flag with the European one. The outcome is quite disturbing, it seems to me that it better communicates what we often take for granted, rather than stating what it truly represents". In the past months, the movie's posters have appeared on the remains of the Berlin wall, in front of the European Parliament, underneath the Empire State Building and on the picturesque walls of Bangalore, India. The campaign reaches across small urban centers as well as the advertising-crowded streets of global metropolises. Right now, as Austria is about to take over the European presidency, the advertising for 'United We Stand' is appearing on dozens of large advertising billboards along the Austrian roads, visible from hundreds of yards away. Still in Europe, but just further south, in Bologna, Italy, the flocks of movie fans that notoriously crowd the city have lately been wondering how a blockbuster movie with such big names as Ewan McGregor and Penelope Cruz could be released without them knowing it in advance. Different reactions were found on the McGregor's official fan site: "If Ewan decided to do it, I would definitely see it!". "The choice of the subject" writes Flavia De Sanctis Mangelli on the Italian newspaper l'Unità during the days of the New York campaign "a supposed war between the United States and China, with Europe trying to solve the case through diplomacy, is soaked with subtle and ironic provocation. How will Europe convince the two super powers? How can European political culture stand up to the great propaganda simplifications of Hollywood? The work is a poignant take on the tremendous power that the media has in the formation of consensus, as well as a biting political satire against a very small Europe, that only united could succeed in having its voice heard". The enormous artwork keeps on spreading, exploiting any existing medium, from the traditional news media, such as TV and the press, to word-of-mouth and the Internet. "United We Stand" writes Ben Davis on Artnet Magazine "with its focus on rejiggering pop cultural codes in social space, is a canny updating of Pop art for the age of viral marketing, when the mass media has penetrated firmly into the everyday". Parallel to the international promotional campaign, the work is exhibited until January the 21st at Postmasters Gallery, New York, and at Arte Fiera (January 27-30), in the Fabio Paris Art Gallery (Pad. 21, Stand B15). About the authors Eva and Franco Mattes - internationally known as 0100101110101101.ORG - are a couple of restless European con-artists who use non-conventional communication tactics to obtain the largest visibility with the minimal effort. Past works include inventing and promoting a nonexistent artist; spreading a computer virus as a work of art; challenging and defeating Nike Corporation in a legal battle for a fake advertising campaign.

1/22/2006

A FAGTL reinvidica: Acção em dia de eleições!

ÚLTIMA HORA: Abalo com epicentro em Espanha faz-se sentir em Portugal Um sismo com epicentro em Espanha e magnitude 4,1 na Escala de Richter fez-se, hoje à tarde, sentir em Portugal, especialmente na região de Elvas, mas sem provocar vítimas ou danos, revelou o Instituto de Meteorologia. O epicentro do sismo localizou-se a 56 quilómetros a Sudoeste de Mérida, uma cidade do Sul de Espanha. Na região de Elvas, o sismo registou a intensidade máxima III/IV na Escala de Mercalli Modificada.

1/21/2006

problemas de visualização.

Algo estranho se passa no blog. Quando visualizado com o internet explorer aparecem só quatro posts e nada na coluna do lado. Quando se usa o Mozilla Firefox aparece tudo bem. Alguém nos pode ajudar?

baudrillard admite: "sim sou um catastrofista"

"Assim como a sociedade, ao normalizar-se, faz surgir na sua periferia os loucos e os anormais, assim também a razão e o domínio técnico da natureza, quando se aprofundaram, fizeram surgir à sua volta a catástrofe e o fracasso como irrazão do "corpo orgânico da natureza" - irrazão insuportável, porque a razão se quer soberana e já nem sequer pode pensar o que lhe escapa; insolúvel, pois já não há rituais de propiciação ou de reconciliação: o acidente, como a morte, é absurdo, um ponto e é tudo. É sabotagem. Um demónio maligno lá está para fazer que esta formidável máquina se avarie sempre. Assim, esta cultura recionalista foi atingida, como nenhuma outra, de paranóia colectiva. O menor acidente, a menor irregularidade, a menor catástrofe, um tremor de terra, uma casa que se desmorona, o mau tempo - há que encontrar um responsável - tudo é atentado. Assim, a recrudescência da sabotagem, do terrorismo, da criminalidade é menos interessante do que o facto de que tudo o que acontece se interprete neste sentido. Acidente ou não? É indecidível. E não tem importância, pois a categoria do Acidente, que Octávio Paz analisa, pendeu para o lado do Atentado. E isto é normal num sistema racional: o acaso só se pode deixar a uma vontade humana, portanto, todo o contratempo se interpreta como malefício - ou politicamente como atentado contra a ordem social. E é verdade: uma catástrofe natural é um perigo para a ordem estabelecida, não apenas pela desordem que provoca, mas pelo choque que inflige a toda a "racionalidade" soberana, e também política. Daí o estado de sítio para um tremor de terra (Nicarágua), daí os serviços de ordem nos locais das catástrofes (mais importante que uma manifestação, como na altura do DC-10 em Ermenonville). Pois, ninguém sabe até onde a "pulsão de morte", iniciada pelo acidente ou pela catástrofe, se pode desencadear na altura e voltar-se contra a ordem política." in A troca simbólica e a Morte

A Companheira Lurdes

Aparentemente a presente ministra da educação já foi anarquista. E pelos visto o Francisco Trindade ainda o é. O Drama aqui. Antes que nos acusem de sermos o tipo de gente que também vai acabar por se tornar deputado ou ministro, deixem-me que vos diga que o sector privado será sempre mais apelativo.
Lurdes nos dias que correm e Lurdes quando preparava acervos para a biblioteca nacional.

1/20/2006

The News.

Num site linkado aqui ao lado: Entrevista com Paolo Virno: Veterano autónomo Italiano daqueles que agora estão na moda. A SDS, a organização de estudantes mais combativa dos sixties Americanos cuja facção mais radical acabou por formar o grupo de luta armada Weather Underground (um documentário recente elevou-os à categoria de estrelas pop) vai voltar ao activo e organizar a sua primeira convenção nacional desde 1969.

1/19/2006

FAGTL no Expresso

Noticia retirada do expresso online (não tem link porque só têm acesso os assinantes)

PJ encontra na internet documentação importante relativa a militantes catastrofistas activos em Lisboa.

Num comunicado de imprensa assinado pelo inspector-chefe Pintinha Carvalhão a PJ afirma ter interceptado informação importante relativamente a movimentos dos catastrofistas activos em Lisboa.

Segundo a PJ a FAGTL (Frente para a Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa) , a organização guarda chuva que reúne as diversas tendências do catastrofismo, tem estado activa nos últimos meses e é responsável pela maioria dos mais recentes abalos sentidos na capital. “os catastrofistas vão mais além do que o resto dos movimentos antagonistas em Portugal, são uma verdadeira ameaça à segurança nacional dado o peso histórico do seu movimento” disse Pintinha ao repórter do Expresso, “as nossas investigações indicam que há cerca de quinhentos militantes que tentam de forma autónoma organizar pequenos tremores de terra e cerca de setenta mil simpatizantes sombra que estão só à espera de sinais da chegada do almejado terramoto”. Os pequenos grupos que agem independentemente uns dos outros são por vezes tão pequenos como duas pessoas e as suas acções localizadas em pontos físicos delimitados “O modus operandi dos catastrofistas assenta mais na multiplicação das acções pequenas do que numa movimentação centralizada, e é isso que os torna temíveis.

Excertos da documentação foram disponibilizados aos média: num parágrafo de um e-mail captado “Bafinhos” diz a “Maria Puré” que os “Putos com buço” estão a preparar um salto que abane uma famosa galeria/sala de concertos do Bairro Alto. Em outro “Naifadas” última preparativos com “China” para a operação “bué” que a PJ suspeita que tenha a ver com a sabotagem dos mecanismos anti-terramoto do Forúm Picoas, um outro grupo planeia assaltar o oceanário no dia do terramoto para oferecer à população peixinho grelhado no redominado “Parque das Monções”. Mais o mais interessante será um esboço de comunicado que a PJ afirma não saber quando será revelado, assinado por FAGTL/CVR (Frente para a Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa / Comando Viva Richter) de onde retiramos alguns excertos: “A cidade rizomática pré terramoto I foi substituída pela cidade pombalina burguesa e dada às artimanhas do poder, será necessário um novo terramoto para devolver Lisboa aos devires multitudinários”, “O regime biopolitico vê a cidade como um corpo que é controlado por um orgão central, a Câmara Municipal, nós propomos o contrário, entender o corpo como uma cidade, e está na altura dos corpos dançarem Lisboa ao som do Rock”, terminando com uma sentença aos que chamam responsáveis pela mediocridade existencial e urbana da cidade: “Burgueses, advogados, deputados! Designers, cineastas, arquitectos! Intelectuais engagê com xulé, artistas de vanguarda nacional republicana, activistas e militantes de Base e Rimmel! Bloquistas, comunistas, socialistas, policias, soldados! TREMEI (literalmente) ! TREMEI (sic) ! Catástrofe ou Barbárie!”.

FATGL

os comentários á noticia da FATGl foram tao bons que merecem vir para aqui: Heykal: O Bureau d’Études pour la Démolition Urbain de paris anuncia uma importante viragem na sua estratégia pela destruição da cidade. Entrevista telefónica dirigida por João Silva (FAGTL). Perante os acontecimentos recentes onde hordas de adolescentes residentes nos "banlieues" de Paris procederam à destruição sistemática e persistente de mobiliário urbano, veículos, supermercados e diversas instituições públicas, Karim Yuef – membro da direcção do referido gabinete – não hesita ao afirmar: “percebemos, inequivocamente, ao nos confrontarmos com o potencial destrutivo daqueles "enfants" (miúdos), que o nosso trabalho de catalização do poder destrutivo dos fenómenos naturais era imensamente mais demorado e menos eficiente”. Questionado sobre as acções realizadas nos últimos anos, Karim prossegue: “veja lá, temos uma equipa altamente especializada e que está debruçada, há pelo menos cinco anos, na tecnologia electromagnética desenvolvida no HAARP/NASA e até agora nada, o máximo que achamos ter alcançado e mesmo assim sem certezas, foram uns pequeníssimos tremores de terra apenas registados nos sismógrafos mais sensíveis”. À pergunta de JS - Em Portugal, na FAGTL, pomo-nos constantemente perante a questão das mortes humanas resultantes nos processos de destruição urbana generalizada, como vêm vocês este problema? - Karim, claramente entusiamado, replica “pois, pois, esse é outro ponto que nos inclinou vertiginosamente para os benefícios da insurreição social, qualquer chuvazinha, ondinha de calor, provoca centenas de mortes, nos "emufes" [palavra ininteligível, pensamos que talvez quisesse dizer émute: motim, distúrbios] nos subúrbios morreu, ao que se sabe uma pessoa, apenas uma pessoa, uma pessoa...” Skater: Os trilhos que percorremos diariamente seja na Avenida da Liberdade, no comboio da ponte, no passeio por Monsanto, na borga nocturna no Bairro Alto, nos corredores da escola ou do centro comercial, a caminho do CCB ou da biblioteca, na manifestação, na maratona, estão todos eles contaminados, na génese, pela ideologia desta sociedade. Não basta acabar com os patrões ou com os Macdonald’s, é necessário destruir a cidade. Passo agora a palavra a este senhor, que em espelho diz o que penso: “E quem se torna senhor de uma cidade habituada a viver livre e nem sequer a destrói, que não deixe de esperar ser destruído por ela, porque ela tem sempre por refúgio nas suas rebeliões o nome da liberdade e os seus velhos costumes, os quais nem pela vastidão dos tempos nem por nenhuma mercê jamais serão esquecidos. E por mais que se faça ou que se precavenha, se não é o expulsar ou o dispersar dos habitantes, eles não esquecerão nunca esse nome nem esses costumes..." (Maquiavel - O Príncipe) Joao Silva da FATGL Antes de mais os meus parabéns ao Blog. Contenta-me, sinceramente, observar uma curiosidade crescente dos cidadãos em relação às proposta de destruição massiva da porcaria urbanística em que se tornou esta cidade. Ocorreu-me que seria interessante transportar para aqui o debate profícuo que se vem desenrolando na Frente (FAGTL). Em primeiro lugar, e como reacção à entrevista que fiz a Karim Yuef, considero errado dar prioridade a uma estratégia em detrimento de outra. Parece-me possível e útil desenvolver em paralelo, como o temos feito aqui em Lisboa, a promoção de desastres naturais e o início efectivo da destruição efectuada em pequenos grupos. Na próxima reunião, a realizar nas nossas instalações na Av. da Liberdade, vamos trabalhar uma nova proposta de acção: a implosão energética do Túnel do Marquês, através de um cordão humano ayurvédico galvanizado mediante técnicas arcaicas do êxtase (percussão, psicotrópicos, fé religiosa, etc) Por outro lado, dentro da estratégia do “aqui e agora”, confrontam-se, desde as semanas paradigmáticas em Paris, duas posições: de uma parte os que defendem propostas recuperadas das origens do primitivismo (o selvagismo do séc. XIX), e que pretendem a invasão da cidade pela mata de Monsanto, através da destruição e plantação sobre o entulho de novas florestas. Querem ver a erva a crescer de novo e indicam que a plantação de certas árvores de raiz perfurativa mantém uma factor destrutivo ao longo dos anos. Na outra parte, onde eu me encontro, defendemos uma migração destrutiva dos subúrbios e guetos no sentido de Monsanto e do Centro da capital, achamos que de momento, e perante uma certa urgência, deve-se jogar com potencial antagonista gerado nas periferias, e que então depois as replantações surgiram com naturalidade. Não podemos aceitar viver mais assim. Não discutimos mais a cidade, destruimo-la. Miguel Caetano: E não seria melhor inventar e criar do que deitar abaixo? Viridian Design Movement: Creating irresistible demand for a global atmosphere upgrade Acho que falta um bocado de sentido ético e empatia por aqui e no movimento anarca português. Daqui a bocado estão a querer matar-se uns aos outros. Pensando bem, acho que é melhor percepcionar esta cena toda como uma farsa, uma piada. Pensar que há pessoas que em vez de dedicarem o seu tempo a criar, a fazer amor e filhos, a ouvir música ou mesmo a cultivar cenouras biológicas, estão a pensar em deitar abaixo prédios e árvores, dá-me convulsões.

Acção contra os despejos na Amadora

Concentração - Metro da Pontinha - 24 de Janeiro - 7h30 (da manhã) Dia 24 de Janeiro vão recomeçar as demolições no bairro da Azinhaga dos Besouros (Amadora), estando prevista a demolição de 5 casas. Mas esta ameaça de destruição paira sobre todo o bairro, nas próximas semanas. Centenas de pessoas ainda moram lá, em péssimas condições, devido à destruição já realizada. Das quais, 80 famílias sem direito a realojamento – são homens, mulheres, crianças e idosos não recenseadas ou excluídas do PER, programa com mais de 10 anos, já ultrapassado. No dia 24, várias pessoas vão ficar na rua, com a sua casa demolida pela força pública, sem alternativas sérias de realojamento e sem possibilidade de acederem ao mercado privado de habitação, muito caro e selectivo. Para os que ainda moram no bairro, as condições vão piorar devido à danificação das canalizações (cortes, infiltrações...) e à acumulação de entulho e lixo provocado pelas demolições. Os moradores do bairro da Azinhaga, com o grupo Direito à Habitação da Associação Solidariedade Imigrante, convocam uma concentração/acção de resistência contra as demolições sem realojamento. Vamos tentar dificultar a entrada das máquinas no bairro e as demolições. Trata-se de defender, pacificamente, o simples direito a ter um tecto – direito humano básico enquadrado pela constituição. O sucesso desta acção depende do número de participantes. Contamos com a tua presença, a tua energia e os teus amigos. Difunde esta mensagem e aparece. Ponto de encontro: Terça, 24 de Janeiro, 7h30 da manhã, Metro Pontinha (linha azul). (É preciso chegar cedo, antes das máquinas.) Contacto para essa acção: Lile 968430310 Maria 963661268 -- Grupo Direito à Habitação da Solidariedade Imigrante Rua da Madalena, 8º- 2ºandar, 1100-321 Lisboa direito.a.habitacao@gmail.com

1/17/2006

riot disney land

Que se tinha estabelecido enquanto fenómeno da pós-modernidade o turismo revolucionário já muita gente sabia: milhares de jovens que todos os verões partem para okupas nos sitios opostos da Europa, adultos que tiram dias de férias para irem num low-cost até a Berlim partir umas montras ou Macworkers que na páscoa acampam 15 dias no campo Inglês e sobrevivem dos cogumelos que apanham enquanto aprendem a sabotar retro-escavadoras Mas que o poder local o promovesse é inédito: O ajuntament de Barcelona acaba de participar numa publicação conjunta com uma Editorial Viena em são retratadas as maiores manifestações dos últimos 100 anos. Grande coisa dizem vocês, um mayor mais progressista que mete fotos de alegre e multitudinárias passeatas pela paz, pela democracia contra o terrorismo etc... mas não, aqui estão as fotos do mais violentos motins dos últimos 30 anos, dos apenas pós-franquistas às históricas imagens do despejo do CSOA Cine Princesa que aqueceram muitos imaginários lisboetas nos últimos 10 anos. Para não falar dos anteriores, até 1939, porque aí é que era memo curti-la.

1/16/2006

O pagamento de dias de trabalho.

Não só já existe uma história do anarquismo em Portugal no wikipedia Português como as Edições antipáticas, em menos de 6 meses de existência, já entraram para essa história, com o nosso blog linkado no final. Bastante mais completa e entusiasticamente up-to-date está a entrada inglesa relativa ao mesmo tema: Anarchism no wikipedia. Não se entenda porém que vistamos a camisola e basta, somos filhos bastardos de vários pais e ultimamente as ovelhas negras de várias familias.

1/15/2006

Esta semana na Lavandaria Lavimpa

Apontem nas agendas: dia 18, 4a feira: 18h_Apresentação da Associação Vegan Portuguesa + sessão aberta de leitura de poesia dia 19, 5a feira: 21h_CINEMA A Janela- Marialva Mix (Edgar Pêra) dia 20, 6a feira: 20h_COMEDOURO POPULAR + DOCS: Independent Media in a time of War (uk), Multitudes on line e Mc Libel: Two Worlds Collide (uk) dia 21, sábado: 21h_CINEMA O Desprezo (Jean-Luc Godard) dia 22, domingo: 18h_chá dos Campos Elísios e *STRIP Eleitoral* A lavandaria está aberta de 4a a domingo das 18h ás 23h Av de Paris 22 metro do Areeiro