FATGL
os comentários á noticia da FATGl foram tao bons que merecem vir para aqui:
Heykal:
O Bureau d’Études pour la Démolition Urbain de paris anuncia uma importante viragem na sua estratégia pela destruição da cidade. Entrevista telefónica dirigida por João Silva (FAGTL).
Perante os acontecimentos recentes onde hordas de adolescentes residentes nos "banlieues" de Paris procederam à destruição sistemática e persistente de mobiliário urbano, veículos, supermercados e diversas instituições públicas, Karim Yuef – membro da direcção do referido gabinete – não hesita ao afirmar: “percebemos, inequivocamente, ao nos confrontarmos com o potencial destrutivo daqueles "enfants" (miúdos), que o nosso trabalho de catalização do poder destrutivo dos fenómenos naturais era imensamente mais demorado e menos eficiente”.
Questionado sobre as acções realizadas nos últimos anos, Karim prossegue: “veja lá, temos uma equipa altamente especializada e que está debruçada, há pelo menos cinco anos, na tecnologia electromagnética desenvolvida no HAARP/NASA e até agora nada, o máximo que achamos ter alcançado e mesmo assim sem certezas, foram uns pequeníssimos tremores de terra apenas registados nos sismógrafos mais sensíveis”.
À pergunta de JS - Em Portugal, na FAGTL, pomo-nos constantemente perante a questão das mortes humanas resultantes nos processos de destruição urbana generalizada, como vêm vocês este problema? - Karim, claramente entusiamado, replica “pois, pois, esse é outro ponto que nos inclinou vertiginosamente para os benefícios da insurreição social, qualquer chuvazinha, ondinha de calor, provoca centenas de mortes, nos "emufes" [palavra ininteligível, pensamos que talvez quisesse dizer émute: motim, distúrbios] nos subúrbios morreu, ao que se sabe uma pessoa, apenas uma pessoa, uma pessoa...”
Skater:
Os trilhos que percorremos diariamente seja na Avenida da Liberdade, no comboio da ponte, no passeio por Monsanto, na borga nocturna no Bairro Alto, nos corredores da escola ou do centro comercial, a caminho do CCB ou da biblioteca, na manifestação, na maratona, estão todos eles contaminados, na génese, pela ideologia desta sociedade. Não basta acabar com os patrões ou com os Macdonald’s, é necessário destruir a cidade.
Passo agora a palavra a este senhor, que em espelho diz o que penso: “E quem se torna senhor de uma cidade habituada a viver livre e nem sequer a destrói, que não deixe de esperar ser destruído por ela, porque ela tem sempre por refúgio nas suas rebeliões o nome da liberdade e os seus velhos costumes, os quais nem pela vastidão dos tempos nem por nenhuma mercê jamais serão esquecidos. E por mais que se faça ou que se precavenha, se não é o expulsar ou o dispersar dos habitantes, eles não esquecerão nunca esse nome nem esses costumes..." (Maquiavel - O Príncipe)
Joao Silva da FATGL
Antes de mais os meus parabéns ao Blog. Contenta-me, sinceramente, observar uma curiosidade crescente dos cidadãos em relação às proposta de destruição massiva da porcaria urbanística em que se tornou esta cidade.
Ocorreu-me que seria interessante transportar para aqui o debate profícuo que se vem desenrolando na Frente (FAGTL).
Em primeiro lugar, e como reacção à entrevista que fiz a Karim Yuef, considero errado dar prioridade a uma estratégia em detrimento de outra. Parece-me possível e útil desenvolver em paralelo, como o temos feito aqui em Lisboa, a promoção de desastres naturais e o início efectivo da destruição efectuada em pequenos grupos.
Na próxima reunião, a realizar nas nossas instalações na Av. da Liberdade, vamos trabalhar uma nova proposta de acção: a implosão energética do Túnel do Marquês, através de um cordão humano ayurvédico galvanizado mediante técnicas arcaicas do êxtase (percussão, psicotrópicos, fé religiosa, etc)
Por outro lado, dentro da estratégia do “aqui e agora”, confrontam-se, desde as semanas paradigmáticas em Paris, duas posições: de uma parte os que defendem propostas recuperadas das origens do primitivismo (o selvagismo do séc. XIX), e que pretendem a invasão da cidade pela mata de Monsanto, através da destruição e plantação sobre o entulho de novas florestas. Querem ver a erva a crescer de novo e indicam que a plantação de certas árvores de raiz perfurativa mantém uma factor destrutivo ao longo dos anos. Na outra parte, onde eu me encontro, defendemos uma migração destrutiva dos subúrbios e guetos no sentido de Monsanto e do Centro da capital, achamos que de momento, e perante uma certa urgência, deve-se jogar com potencial antagonista gerado nas periferias, e que então depois as replantações surgiram com naturalidade.
Não podemos aceitar viver mais assim. Não discutimos mais a cidade, destruimo-la.
Miguel Caetano:
E não seria melhor inventar e criar do que deitar abaixo?
Viridian Design Movement: Creating irresistible demand
for a global atmosphere upgrade
Acho que falta um bocado de sentido ético e empatia por aqui e no movimento anarca português. Daqui a bocado estão a querer matar-se uns aos outros. Pensando bem, acho que é melhor percepcionar esta cena toda como uma farsa, uma piada.
Pensar que há pessoas que em vez de dedicarem o seu tempo a criar, a fazer amor e filhos, a ouvir música ou mesmo a cultivar cenouras biológicas, estão a pensar em deitar abaixo prédios e árvores, dá-me convulsões.
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