1/27/2006
1/26/2006
O Passado de José Silva
1/25/2006
Relatório sobre o grupelho autodenominado FAG"T"L
1/23/2006
Tens lume?
A (literal) máquina de guerra Europeia
Um colectivo de Tactical Media italiano montou uma gigantesca operação mediática a promover um filme que não existe onde uma força militar europeia assume o papel habitualmente Americano de salvar o mundo:
Fake European propaganda movie hits Austria and Bologna Mattes' grand artwork keeps on spreading in both the public and the media space.
'United We Stand' is the title of the much-hyped spy/action movie wholly produced by Europe, a large-scale propagandistic stunt that has in the past few months stirred much controversy. Too bad the movie doesn't actually exist, but it is instead the latest insane provocation of the artists' couple Eva and Franco Mattes, better known as 0100101110101101.ORG. After Berlin, Brussels, Barcelona, New York and Bangalore, the gigantic performance has now landed in Austria and Bologna.
While the movie itself doesn't exist, the actors and the flashy poster do. They portray the inspired faces of the main characters surrounded by the blue of the European flag and by gruesome war scenes. The movie's Web site also exists - www.UnitedWeStandMovie.com - and it is accompanied by an extensive advertising campaign covering half the globe, causing extreme reactions in both the streets and the media.
"United We Stand" Eva Mattes explains "mimics the typical Hollywood action movie where the US always wins and saves the world. We have used their clichéd visual elements, but we have replaced their flag with the European one. The outcome is quite disturbing, it seems to me that it better communicates what we often take for granted, rather than stating
what it truly represents".
In the past months, the movie's posters have appeared on the remains of the Berlin wall, in front of the European Parliament, underneath the Empire State Building and on the picturesque walls of Bangalore, India.
The campaign reaches across small urban centers as well as the advertising-crowded streets of global metropolises. Right now, as Austria is about to take over the European presidency, the advertising for 'United We Stand' is appearing on dozens of large advertising billboards along the Austrian roads, visible from hundreds of yards away.
Still in Europe, but just further south, in Bologna, Italy, the flocks of movie fans that notoriously crowd the city have lately been wondering how a blockbuster movie with such big names as Ewan McGregor and Penelope Cruz could be released without them knowing it in advance.
Different reactions were found on the McGregor's official fan site: "If Ewan decided to do it, I would definitely see it!".
"The choice of the subject" writes Flavia De Sanctis Mangelli on the Italian newspaper l'Unità during the days of the New York campaign "a supposed war between the United States and China, with Europe trying to solve the case through diplomacy, is soaked with subtle and ironic provocation. How will Europe convince the two super powers? How can
European political culture stand up to the great propaganda simplifications of Hollywood? The work is a poignant take on the tremendous power that the media has in the formation of consensus, as well as a biting political satire against a very small Europe, that only united could succeed in having its voice heard".
The enormous artwork keeps on spreading, exploiting any existing medium, from the traditional news media, such as TV and the press, to word-of-mouth and the Internet. "United We Stand" writes Ben Davis on Artnet Magazine "with its focus on rejiggering pop cultural codes in social space, is a canny updating of Pop art for the age of viral
marketing, when the mass media has penetrated firmly into the
everyday".
Parallel to the international promotional campaign, the work is exhibited until January the 21st at Postmasters Gallery, New York, and at Arte Fiera (January 27-30), in the Fabio Paris Art Gallery (Pad. 21, Stand B15).
About the authors
Eva and Franco Mattes - internationally known as 0100101110101101.ORG - are a couple of restless European con-artists who use non-conventional communication tactics to obtain the largest visibility with the minimal effort. Past works include inventing and promoting a nonexistent artist; spreading a computer virus as a work of art; challenging and
defeating Nike Corporation in a legal battle for a fake advertising campaign.
1/22/2006
A FAGTL reinvidica: Acção em dia de eleições!
1/21/2006
problemas de visualização.
baudrillard admite: "sim sou um catastrofista"
A Companheira Lurdes
1/20/2006
The News.
1/19/2006
FAGTL no Expresso
PJ encontra na internet documentação importante relativa a militantes catastrofistas activos em Lisboa.
Num comunicado de imprensa assinado pelo inspector-chefe Pintinha Carvalhão a PJ afirma ter interceptado informação importante relativamente a movimentos dos catastrofistas activos em Lisboa.
Segundo a PJ a FAGTL (Frente para a Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa) , a organização guarda chuva que reúne as diversas tendências do catastrofismo, tem estado activa nos últimos meses e é responsável pela maioria dos mais recentes abalos sentidos na capital. “os catastrofistas vão mais além do que o resto dos movimentos antagonistas em Portugal, são uma verdadeira ameaça à segurança nacional dado o peso histórico do seu movimento” disse Pintinha ao repórter do Expresso, “as nossas investigações indicam que há cerca de quinhentos militantes que tentam de forma autónoma organizar pequenos tremores de terra e cerca de setenta mil simpatizantes sombra que estão só à espera de sinais da chegada do almejado terramoto”. Os pequenos grupos que agem independentemente uns dos outros são por vezes tão pequenos como duas pessoas e as suas acções localizadas em pontos físicos delimitados “O modus operandi dos catastrofistas assenta mais na multiplicação das acções pequenas do que numa movimentação centralizada, e é isso que os torna temíveis.”
Excertos da documentação foram disponibilizados aos média: num parágrafo de um e-mail captado “Bafinhos” diz a “Maria Puré” que os “Putos com buço” estão a preparar um salto que abane uma famosa galeria/sala de concertos do Bairro Alto. Em outro “Naifadas” última preparativos com “China” para a operação “bué” que a PJ suspeita que tenha a ver com a sabotagem dos mecanismos anti-terramoto do Forúm Picoas, um outro grupo planeia assaltar o oceanário no dia do terramoto para oferecer à população peixinho grelhado no redominado “Parque das Monções”. Mais o mais interessante será um esboço de comunicado que a PJ afirma não saber quando será revelado, assinado por FAGTL/CVR (Frente para a Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa / Comando Viva Richter) de onde retiramos alguns excertos: “A cidade rizomática pré terramoto I foi substituída pela cidade pombalina burguesa e dada às artimanhas do poder, será necessário um novo terramoto para devolver Lisboa aos devires multitudinários”, “O regime biopolitico vê a cidade como um corpo que é controlado por um orgão central, a Câmara Municipal, nós propomos o contrário, entender o corpo como uma cidade, e está na altura dos corpos dançarem Lisboa ao som do Rock”, terminando com uma sentença aos que chamam responsáveis pela mediocridade existencial e urbana da cidade: “Burgueses, advogados, deputados! Designers, cineastas, arquitectos! Intelectuais engagê com xulé, artistas de vanguarda nacional republicana, activistas e militantes de Base e Rimmel! Bloquistas, comunistas, socialistas, policias, soldados! TREMEI (literalmente) ! TREMEI (sic) ! Catástrofe ou Barbárie!”.
FATGL
os comentários á noticia da FATGl foram tao bons que merecem vir para aqui:
Heykal:
O Bureau d’Études pour la Démolition Urbain de paris anuncia uma importante viragem na sua estratégia pela destruição da cidade. Entrevista telefónica dirigida por João Silva (FAGTL).
Perante os acontecimentos recentes onde hordas de adolescentes residentes nos "banlieues" de Paris procederam à destruição sistemática e persistente de mobiliário urbano, veículos, supermercados e diversas instituições públicas, Karim Yuef – membro da direcção do referido gabinete – não hesita ao afirmar: “percebemos, inequivocamente, ao nos confrontarmos com o potencial destrutivo daqueles "enfants" (miúdos), que o nosso trabalho de catalização do poder destrutivo dos fenómenos naturais era imensamente mais demorado e menos eficiente”.
Questionado sobre as acções realizadas nos últimos anos, Karim prossegue: “veja lá, temos uma equipa altamente especializada e que está debruçada, há pelo menos cinco anos, na tecnologia electromagnética desenvolvida no HAARP/NASA e até agora nada, o máximo que achamos ter alcançado e mesmo assim sem certezas, foram uns pequeníssimos tremores de terra apenas registados nos sismógrafos mais sensíveis”.
À pergunta de JS - Em Portugal, na FAGTL, pomo-nos constantemente perante a questão das mortes humanas resultantes nos processos de destruição urbana generalizada, como vêm vocês este problema? - Karim, claramente entusiamado, replica “pois, pois, esse é outro ponto que nos inclinou vertiginosamente para os benefícios da insurreição social, qualquer chuvazinha, ondinha de calor, provoca centenas de mortes, nos "emufes" [palavra ininteligível, pensamos que talvez quisesse dizer émute: motim, distúrbios] nos subúrbios morreu, ao que se sabe uma pessoa, apenas uma pessoa, uma pessoa...”
Skater:
Os trilhos que percorremos diariamente seja na Avenida da Liberdade, no comboio da ponte, no passeio por Monsanto, na borga nocturna no Bairro Alto, nos corredores da escola ou do centro comercial, a caminho do CCB ou da biblioteca, na manifestação, na maratona, estão todos eles contaminados, na génese, pela ideologia desta sociedade. Não basta acabar com os patrões ou com os Macdonald’s, é necessário destruir a cidade.
Passo agora a palavra a este senhor, que em espelho diz o que penso: “E quem se torna senhor de uma cidade habituada a viver livre e nem sequer a destrói, que não deixe de esperar ser destruído por ela, porque ela tem sempre por refúgio nas suas rebeliões o nome da liberdade e os seus velhos costumes, os quais nem pela vastidão dos tempos nem por nenhuma mercê jamais serão esquecidos. E por mais que se faça ou que se precavenha, se não é o expulsar ou o dispersar dos habitantes, eles não esquecerão nunca esse nome nem esses costumes..." (Maquiavel - O Príncipe)
Joao Silva da FATGL
Antes de mais os meus parabéns ao Blog. Contenta-me, sinceramente, observar uma curiosidade crescente dos cidadãos em relação às proposta de destruição massiva da porcaria urbanística em que se tornou esta cidade.
Ocorreu-me que seria interessante transportar para aqui o debate profícuo que se vem desenrolando na Frente (FAGTL).
Em primeiro lugar, e como reacção à entrevista que fiz a Karim Yuef, considero errado dar prioridade a uma estratégia em detrimento de outra. Parece-me possível e útil desenvolver em paralelo, como o temos feito aqui em Lisboa, a promoção de desastres naturais e o início efectivo da destruição efectuada em pequenos grupos.
Na próxima reunião, a realizar nas nossas instalações na Av. da Liberdade, vamos trabalhar uma nova proposta de acção: a implosão energética do Túnel do Marquês, através de um cordão humano ayurvédico galvanizado mediante técnicas arcaicas do êxtase (percussão, psicotrópicos, fé religiosa, etc)
Por outro lado, dentro da estratégia do “aqui e agora”, confrontam-se, desde as semanas paradigmáticas em Paris, duas posições: de uma parte os que defendem propostas recuperadas das origens do primitivismo (o selvagismo do séc. XIX), e que pretendem a invasão da cidade pela mata de Monsanto, através da destruição e plantação sobre o entulho de novas florestas. Querem ver a erva a crescer de novo e indicam que a plantação de certas árvores de raiz perfurativa mantém uma factor destrutivo ao longo dos anos. Na outra parte, onde eu me encontro, defendemos uma migração destrutiva dos subúrbios e guetos no sentido de Monsanto e do Centro da capital, achamos que de momento, e perante uma certa urgência, deve-se jogar com potencial antagonista gerado nas periferias, e que então depois as replantações surgiram com naturalidade.
Não podemos aceitar viver mais assim. Não discutimos mais a cidade, destruimo-la.
Miguel Caetano:
E não seria melhor inventar e criar do que deitar abaixo?
Viridian Design Movement: Creating irresistible demand
for a global atmosphere upgrade
Acho que falta um bocado de sentido ético e empatia por aqui e no movimento anarca português. Daqui a bocado estão a querer matar-se uns aos outros. Pensando bem, acho que é melhor percepcionar esta cena toda como uma farsa, uma piada.
Pensar que há pessoas que em vez de dedicarem o seu tempo a criar, a fazer amor e filhos, a ouvir música ou mesmo a cultivar cenouras biológicas, estão a pensar em deitar abaixo prédios e árvores, dá-me convulsões.
Acção contra os despejos na Amadora
1/17/2006
riot disney land
mas não, aqui estão as fotos do mais violentos motins dos últimos 30 anos, dos apenas pós-franquistas às históricas imagens do despejo do CSOA Cine Princesa que aqueceram muitos imaginários lisboetas nos últimos 10 anos. Para não falar dos anteriores, até 1939, porque aí é que era memo curti-la.
1/16/2006
O pagamento de dias de trabalho.
Bastante mais completa e entusiasticamente up-to-date está a entrada inglesa relativa ao mesmo tema: Anarchism no wikipedia.
Não se entenda porém que vistamos a camisola e basta, somos filhos bastardos de vários pais e ultimamente as ovelhas negras de várias familias.
1/15/2006
Esta semana na Lavandaria Lavimpa
A cidade treme
A revolução 29,9 vezes por segundo.
To create an historical archive of independent videos. To organise a distribution network through peer-to-peer, FTP servers and RSS feeds. To establish a producers's and distributors's community which agrees on the use of Creative Commons licences and keeps track of its activities through ad hoc blogs. To develop a publishing, archiving, distribution set of software which is available for other communities to use. To be a useful tool for independent television stations which need to share and retrieve contents (see the Telestreets network: http://www.telestreet.it/)
2. What role does FLOSS play in your organisation's economy?
Without free software our project wouldn't exist at all. For two main reasons: the first is that free software allows us to build the technology to manage the archive and to make it available to users, from the website to the servers that host the archives. The second one is that only through free software have we been able to share and improve our knowledge and so be able to create the tools we need.
3. Which communities do you support and how?
We support the independent videomakers´s community by giving it a tool to circulate its productions, and the independent TV commmunity by giving it a pool of materials to insert into its daily programmes.
5. Do you see your work/labour as resisting, in symbiosis with, or exploited by capitalist production?
Our work is not just resistant to capitalist production: it's creating new models of production. But as a community of independent videomakers we may say that (while waiting for the new world) we are still exploited by and in symbiosis with capitalist production.
6. What are the primary obstacles you face?
The lack of time that developers and editors can put into the work. We don't earn money from the project, and so we have to work on it in our spare time. Sometimes the most difficult thing is to meet face to face as these kinds of meetings are very important, but we are scattered all over Italy.
7. What licence, if any, do you use?
CC licences are applied to videos in the archive and we use the GPL for the set of softwares.
8. Do you see yourself as contributing to a commons?
Of course! NGV is one of the clearest examples of the creation of spaces for a commons, not only as regards licences, but also for the efforts that we put into accessibility, to content production and also for the will to develop a permanent archive.
Metapiratas
PT: Yes, but the speech I made took most of my energy. It was the second year when internet lovers, filesharers and pirates gathered in Stockholm to express their fight for internet freedom. There was music and three speakers talking about the transgression of IP law and creativity. A hand to hand copyswap was extended to a coffin where you could place and share CDs. A big crowd of something like 800 people assembled with banners declaring things like: "No Software Patents", "Sharing is Caring" and "All Your Base [Stations] Belong to Us." This aggressively humorous attitude is something that characterises the movement in Sweden. One beautiful example is the letter written by TPB in response to legal threats and the request by big companies like Microsoft, DreamWorks and Warner Bros, to remove copyrighted material: http://thepiratebay.org/legal.php. Last year the transgression of IP law spurred a copy riot in Sweden; people from right to left have woken up and spoken out on the subject. This escalated further when Sweden's anti-piracy lobby organisation, Antipiratbyran (APB), raided Swedish ISPs claming they hosted unlicensed material. The raid was conducted in an unlawful manner and it was discovered APB had paid an infiltrator for several months to upload copyright-protected material and place hardware at the ISP. This spawned a public outcry and the lawyer and spokesperson for APB, Henrik Ponten, received hate-SMS, including death threats, from a lot of angry kids. The homepage of APB was hacked by a group that called themselves Angry Young Hackers and mails between people from APB were published showing that APB were also infiltrated. In response PB has pressed charges against APB for their different unlawful actions. And APB was told by Swedish authorities to withdraw the most aggressive of these threats to protect their own integrity. The demonstration was mostly a great celebration with a lot of different people sharing and also making connections. The slogans at the demonstration were: "Copy me - we will continue to copy everything", "Don't touch our internet" and "Welfare begins at 100 Mbit". The counter-allegations against the anti-pirate organisation APB for the action and the raid at the Swedish ISP Bahnhof was ready at that time and was handed to the police.
Mute: What is the bigger picture behind these protests? Was this the first public act of disobedience in opposition to the new laws or are there events that have prefigured this one?
PT: PB has a broad political base, from high-tech autonomists to free libertarians. A group based in Malmo called The Street Action looks upon filesharing as digital class struggle and organises public copyswaps inside shopping malls in order to desecrate the commodity. And there are several other interesting projects based on disobedience in Sweden, of which my favourites are Planka.nu and Snatta.nu. Planka.nu is a site for free subway riding and runs a fund to which you can subscribe and get your money back in case you get caught and fined. Snatta.nu is a site for shoplifting culture.
Retirado da revista Mute: Versão em .PDF disponivel no seu site.
1/13/2006
Granada ou granada?
Mesmo gente que está bem-informada em vários campos, com uma capacidade de discernimento que lhe permite decorrer sobre territórios pouco habituais no panorama antagónico no qual (sobre)vivemos esbarra nos maiores lugares comuns quando se toca no assunto da acção directa violenta e/ou ilegal, assumindo uma posição de subserviência e medo quando se trata de subverter os espaços fisicos e operantes do exercicio do poder. O Miguel Caetano, cujas contribuições para este blog tem sido extremamente agradáveis e enriquecedoras (e que esperemos que continue) afirma que a repressão se combate com democracia e não com o terrorismo. Realmente se há palavras que hoje em dia não querem dizer nada, ou melhor querem dizer tudo e simultaneamente o seu contrário, são exactamente democracia e terrorismo. Mas vamos por partes: 1- Meter dentro do mesmo saco uma acção que meramente danifica material privado sem utilidade pública garantida com a mortandade abjecta provocada pela tentativa de fazer politica pelo é enormemente demagógico e é deixar-se levar para dentro de um debate semântico controlado pelos discursos do poder através do qual não se consegue chegar a dizer qualquer coisa de interessante. 2- A Origem do discurso que diabolizou os blocos negros e todo o tipo de acção de rua que não se submetesse aos parametros estabelecidos pelo cripto-comité central dos movimentos e pelos seus flirts com os aparelhos e instituições repressivas foi precisamente a de tentar controlar a parte dos novos movimentos sociais que decidiu desembarassar-se dos partidos e de outras instituições de pacificação.
3- Basta ver como após Génova o Fórum Social Italiano afirmou perante toda a imprensa Italiana e internacional que os manifestantes que combateram a policia eram essencialmente infiltrados e neo nazis recrutados pelos anteriores, facto depois repetido em Portugal por pessoas que em Génova passaram quase por acaso e que apenas lá estiveram uma inocente tarde encurtada pela constatação de que ali a policia batia a sério. Na verdade, e como foi óbvio para toda a gente que por lá passou, os primeiros confrontos foram iniciados por um Black Bloc internacional separado do resto da manifestação que, agrade ou não aos alterglobalistas dese mundo, existe mesmo e não é composto por policia à paisana, e posteriormente prosseguiram pela mão de normais e habitualmente pacificos manifestantes italianos (militantes e simpatizantes de partidos, de sindicatos, de ONGs, etc...) que decidiram reagir violentamente ao brutal comportamento da policia. 4- O primeiro argumento a ser usado é que a acção violenta de alguns põe todos em risco. É essencialmente verdade, um individuo não deve sujeitar outro às consequências nefastas daquilo que não escolheu. O que não é tão linear é pressupor que numa manifestação a violência parta sempre dos manifestantes ou que o comportamento dos aparelhos repressivos seja à partida cumpridor das normas pré-estabelecidas. Por outro lado a acção de um participante numa manifestação não pode estar condicionada pelas decisões que tomaram os que depois se arrogam como lideres ou representantes da acções, quantas vezes é qualquer um de nós já sentiu que estava num sitio só a fazer número para os interesses mediáticos do Bloco de Esquerda ou para o PCP?
6- Não há método que seja isento de potenciais armadilhas que o inutilizem ou o tornem contraproducente. É bastante fácil que o entusiasmo pelos médias tácticos se mine ao criar uma inteligentsia separada que ao dominar novas metalinguagens adquire uma consideração superior, tal como é fácil que o discurso que planeia usar os média burgueses e o sistema para próprio proveito acabe por manipulado com estes. O problema da ilegalidade e da violência é que muito facilmente dá lugar ao militarismo, intrisecamente hierárquicos e para-facista, e à valorização das pessoas apenas pela sua coragem fisica e pela sua disponibilidade a por em risco a própria liberdade (os mais ilusórios e perigosos estéreotipos de rebeldia) para além de frequentemente conduzir a batalhas que simplesmente são impossiveis de vencer. E é este o principal problema do tipo de acções como aquela abaixo descrita, que ao contrário de mostrar força mostra debilidade e medo. O que porventura haverá de positivo nesta perspectiva combativa é a capacidade de comprender que é nos momentos de ruptura e na planificação destes momentos que se poderão sedimentar progressos. Como dizia Debord "a vitória pertencerá aos que souberem usar a violência sem a amar".
7- Mas ainda não acabei, o que mais interessante tem surgido nos últimos é uma possibilidade de superação existencial das centenárias dicotomias dos movimentos sociais, teoria-prática, meios-fins, legalidade-ilegalidade, reforma-revolução. Penso, contrariamente ao Miguel, que não existe distinção entre fins e meios, que cada acto que jogue de maneira inteligente contra o poder é já um momento de libertação, e provavelmente os únicos que alguma vez conheceremos. Abstractamente não vejo distinção entre diferentes momentos que subvertam os vectores funcionais do poder sejam eles a criação de redes de contra-informação sejam eles distúrbios no centro de uma cidade que inutilizem espaços comerciais e de exercicio do poder.
Said e os Assuntos Exteriores
InCitação do dia
1/12/2006
Cicciolina na fábrica social telemática.
1/10/2006
Um concessionário FIAT em Granada foi atacado.
1/07/2006
Entre Crítica e Clínica - I
Entre Crítica e Clínica - II
O que diz Matteo
1/06/2006
Para o Migue Caetano et pour cause
"Nuestros Hermanos"
1/05/2006
Université Tangente
Prefácio do Livro "Da Miséria nos Meios Subversivos".
Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar. Mario Cesariny, You are welcome to Elsinore
Não é tanto que tenhamos visto o que mais ninguém vê.
Dizer mal deste pardieiro está inscrito numa angústia colectiva da qual não nos excluímos, e que acaba sempre no mesmo divã psiquiátrico, mascarado de boémia, a mastigar o tédio e um desconforto impotente. De uma maneira ou de outra, acabamos sempre a invejar a miséria alheia, a suspirar por pardieiros longínquos, a lamentar ter vindo parar a esta cidade onde nada se passa.
E é precisamente essa ideia, de que aqui nada se passa porque tudo se passa noutro lado, que interessa levar a sério. Ela é a verdade incorporada, o sentimento difuso, o imaginário mais efectivo e estruturante do “gueto” ou da “comunidade terrível” lisboeta, e de muitas outras cidades, onde indivíduos ou pequenos colectivos esboçam formas de agir em oposição ao existente. É com esta verdade que se torna necessário um ajuste de contas.
Estes textos não têm por objectivo desmontar essa ideia, embora convidem quem os lê a desconfiar dela. Tão-pouco querem polemizar com os e as que, com alguma ingenuidade, pensaram poder superar o problema importando e imitando os termos, experiências e métodos que outros escolheram para enfrentar o domínio do capital sobre as suas vidas. Não abordam os vários “movimentos franchising” que circulam pelo espaço público, com grave perigo para a saúde emocional dos respectivos consumidores, e que procuram insuflar de activismo uma realidade social que em tudo se furta a semelhantes receitas e saudavelmente desconfia de tão ingénuas boas vontades.
Estes textos decidiram enfrentar outro desafio. É sobre a própria matéria de que são compostas todas as relações sociais nos ambientes subversivos, que disparam até esgotar as suas munições, atingindo-nos por vezes em partes que considerávamos vitais. Por isso mesmo quisemos partilhar a sua antipatia e o desconforto que nos provocam.
Pelo seu contributo para a nossa angústia, que julgávamos ter já atingido o insuportável. Por nos ensinarem a desconfiar da paranóia com que lidamos com o existente. Por tornarem desconfortável o próprio divã onde nos recolhêramos para libertar a nossa esquizofrenia. Por tornarem insuportável – porque incontornável – a miséria geral dos nossos quotidianos.
Eles descrevem, ad nauseam, o círculo vicioso que percorremos em busca de uma libertação que está sempre noutro lado. Precisamente porque a entendemos sempre como fuga, evasão do que nos rodeia, êxodo – busca de uma fronteira, para lá da qual, esperamos encontrar aquilo que buscamos, como se houvesse uma cortina de ferro a atravessar. E é assim que - nómadas, marginais, exilados, guetizados -, no preciso momento em que pensávamos descobrir a possibilidade de uma vida outra, negociamos o nosso lugar na vasta engrenagem dos dispositivos de poder que, desde sempre, nos acompanharam.
Os dois textos têm proveniências, estilos e objectivos diferentes, que serão facilmente reconhecidos por quem os ler, e que dispensam por isso grandes apresentações. Em nenhum deles deixaremos, em todo o caso, de reconhecer a descrição de traços, tiques e fetichismos que nos são familiares.
Ad nauseam descreve a cidade “estudantil” de Granada, onde todos se aborrecem placidamente ao longo do seu percurso universitário, optando alguns por fazê-lo colectivamente: adoptando o “antagonismo político” como pretexto e constituindo o “gueto” como realidade. Este texto não se trata de um ajuste de contas regional ou de um carpir de mágoas - de quem, da periferia, inveja o centro - mas da crítica de uma miséria por todo o lado generalizada e que se materializou neste contexto preciso.
O gueto, forma generalizada de todos os ambientes subversivos, é moldado pelas circunstâncias e pessoas que o protagonizam. Pode ser belo e adormecido em Granada, tal como poderia ser sujo e cheio de raiva em qualquer outro lado. A definição dos seus confins pode variar, mas a sua existência não pode alguma vez ser posta em causa, e as regras não-escritas que regem a sua vida interna serão, em todo o lado, a mesma consagração da imagem distorcida e da falsa consciência que os seus habitantes possuem acerca de si próprios.
As Teses sobre a comunidade terrível não têm um cenário ou sujeitos específicos, como convém em tempos desterritorializados e imateriais. O espelho que nos apresentam pode ser atravessado, como fez Alice, embora não haja garantias de levar ao país das maravilhas. Aquilo que se propõe revelar pode ser descoberto sem abandonar o esquálido espaço do nosso quotidiano, porque não é senão o nosso quotidiano – fixado no preciso momento em que julgávamos ter já identificado a sua miséria e iniciado o combate pela sua abolição.
A comunidade terrível é simultaneamente a forma de superação da política clássica e a sua continuação por outros meios. A sua militarização mais ou menos consciente reproduz e reconfigura - em nome do conflito sem tréguas ou concessões ao domínio da mercadoria - um dispositivo pós-autoritário de poder, onde se combinam formas arcaicas e sofisticadas de constrangimento e se criam novos pretextos para sufocar os desejos dos seus participantes.
Nasce de uma incapacidade fundamental – a de rejeitar e superar a guerra de posições a que nos convidam as formas difusas de dominação das democracias biopolíticas –, que a impede de colocar todas as questões, permitindo que o seu inimigo fundamental se inscreva no seu próprio código genético.
Percorre apenas circuitos que lhe são já familiares, estreitamente vigiados e onde porém os seus movimentos carecem de qualquer controlo, porque têm já toda a liberdade que se poderia imaginar e porque, onde quer que decidam ir, encontrarão em todo o lado o mesmo convite sem pudor a ocupar tranquilamente o lugar que lhes foi reservado.
Os membros da comunidade terrível têm, como compensação para o seu exílio, a liberdade de gerir as zonas autónomas temporárias que saberão criar, nas falhas e interstícios do que existe, onde poderão viver sem tempos mortos e gozar sem entraves. Mas nem mesmo neles o poder que unifica a sociedade mercantil deixará de estar presente, no interior de cada um, tornando insuperável a distância em relação à margem que se procura, e que não se encontra, cada vez mais distante à medida que dela nos aproximamos. Em todo o lado encontraremos a mesma terrível verdade.
Este poder que tudo organiza, esta economia do espaço e do tempo, este aparelho de domínio, este sistema de pesos e medidas - este fluxo de palavras, coisas, músculos, neurónios, imagens, sons, líquidos, movimentos, símbolos, sentidos, estímulos que compõem e organizam o real – não deixa nada de fora. “A comunidade terrível, há quem diga, é como tudo o resto, porque está dentro de tudo o resto.”
As nossas divergências com estes textos têm que muito que se lhe diga. No que nos diz respeito, eles valem pelos problemas que colocam e pelo ponto de vista impiedoso que propõem acerca da miséria nos ambientes subversivos. Os esboços de resposta que contêm devem ser encarados com a mesma desconfiança que os percorre.
Pegar fogo ao gueto ou liquidar a comunidade terrível de que se faz parte não é uma questão de clarividência, de estar avisado, de ter já lido tudo o que é necessário acerca do assunto. Estes textos não nos tornam a vida mais fácil no que toca a enfrentar as condições práticas e a triste impotência dos nossos gestos. Eles exigem, pelo contrário, que cada um de nós se torne radical, ao ponto de rasgar o cartão de sócio do clube dos revolucionários anticapitalistas (sem o qual não sai de casa) e de correr o risco de viver fora da sombra da identidade que pensa ter construído e que, em última análise, o constrói. Que cada um de nós exorcize essa figura tão familiar e que frequentemente encontrará nos seus próprios reflexos. Que cada um de nós ampute de si mesmo o lastro da sua representação e comece a agir para lá do guião de filme alternativo ou de teatro de vanguarda onde geralmente procura abrigo.
Atiramos esta primeira pedra seguros de que outras se seguirão. Com ela queremos destruir as paredes de vidro do gueto, onde se reflecte a imagem de uma cidade adormecida numa paz podre feita de turismo, tédio, bófia, subúrbio, precariedade e especulação. Para lá desse reflexo vemos um território atravessado por conflito, raiva, desejo e mil formas de subverter o presente, praticadas pelos sujeitos nómadas que o atravessam. No deserto que nos habituámos a considerar intransponível e sempre igual, vislumbramos agora trilhos diversos, percorridos por outras e outros, antes e depois de nós, movidos pelo desejo de abandonar o gueto e enfrentar o amplo espaço desconhecido de uma subversão desde sempre estranha a qualquer cartografia, correndo os riscos de serem livres.
Estes escritos não são mais do que uma pálida imagem das vidas apaixonantes que adivinhamos possíveis e ao alcance de todos. Não chegam nem podem chegar. No preciso momento em que são lidos correm o risco de se tornarem uma variante sofisticada, cínica e auto-reflexiva daquilo que pretendem criticar.
O seu interesse só pode estar no fluxo de dinâmicas e práticas de emancipação que convocam, que existem já como vontade e possibilidade, que estão em todos os corpos e cabeças, que não podem mais ser adiadas.
O mais importante será a passagem que propõem: da miséria existente em todos os meios subversivos, à subversão por todos os meios da nossa miséria existencial.









